8 de março é referência de luta e vai além: é um marco de reflexão. Numa época onde as mulheres ocupam cada vez mais espaço em todos os campos da sociedade, principalmente no de trabalho, a discussão de empoderamento se torna urgente, como uma forma de resgatar o sentimento de autoestima, igualdade de direitos e respeito.

Atualmente o Sergipeprevidência tem em sua estrutura 103 servidores e colaboradores. Do total, 62 são do gênero feminino. A fim de trazer à tona este debate tão atual, o Instituto realizou na manhã desta terça-feira a palestra “Sem medo de vencer: um papo sobre ambição, feminismo e sucesso”. O evento foi ministrado pela life coach Isis Rocha, que abordou a luta por melhores oportunidades, estímulo e incentivo ao crescimento profissional dentro do ambiente corporativo.

Para Isis, a iniciativa demonstra claramente a preocupação da autarquia com o assunto. “Eu acho muitíssimo importante porque quando todas criam consciência de que os limites são facilmente vencidos, vários talentos florescem, várias vidas são transformadas e todo mundo ganha”.

Por sair do clichê “flores”, “chocolates” e “parabéns pelo seu dia”, o encontro teve grande receptividade e foi elogiado pelas trabalhadoras. Para a colaboradora Luana Aquino, foi a autenticação da mulher como agente ativo. “Foi trazida uma proposta que não é abordada comumente, o passo inicial para que procuremos mais informações sobre quem somos e onde queremos chegar”.

A opinião foi ratificada por Raab Araújo, que adorou a forma leve como o tema foi abordado. “Às vezes a gente fica meio perdida, sem saber o que fazer. Mas, precisamos nos reconhecer e sermos valorizadas pelo poder que temos”.

Quem se identifica como representante da raça, de uma coisa tem certeza: não dá para ter orgulho da própria negritude apenas uma vez por ano. Hoje, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é uma data de valor fundamental, onde todos são convidados a refletir sobre a condição do negro em nossa sociedade. Mas, deve se estender a todos os outros 364.

Preconceito existe. Escancarado ou velado. A servidora Maria Iraci da Silva é prova disso. Por ser quem ela é, já passou por muita coisa que julga ser desnecessária, tendo em vista que todos são iguais. Resultado de uma mistura genética entre brancos, índios e negros, Iraci diz não entender o porquê de as pessoas, principalmente os brasileiros, ainda carregarem consigo tanta discriminação baseada na cor da pele. “Já fui chamada inúmeras vezes de ‘neguinha’, de forma pejorativa, mas nunca me deixei abater. Eu sempre me considerei uma cidadã como qualquer outra e me capacitei. Quando você abraça o preconceito, você desmorona. O negro precisa se valorizar mais. Precisa se entender como negro.”

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Desconstruir a discriminação é necessário, faz parte da luta a favor da igualdade de direitos. Principalmente durante a infância e adolescência. Luana Aquino, colaboradora do Instituto, afirma isso com todas as letras. Negra com orgulho e dona de um black power mais do que assumido, ela diz que a história nem sempre foi assim, pois passou anos alisando o cabelo para se encaixar em um padrão estético. Aos 12, começou a usar química através da influência de uma prima e, por sentir vergonha do volume, chegou a viver com as madeixas presas. De acordo com ela, ser negra, estudante de escola pública e moradora da periferia, só fizeram agravar a vergonha da legitimidade da raça. “Só depois que eu entrei na Universidade é que parei de vez de esticar o cabelo. Me empoderei. Hoje só recebo elogios!”

 

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Preconceito racial é violação de direitos

A lei 7.716, que define racismo e injúria racial como crimes, completa 26 anos e determina a pena de reclusão por discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Ela torna inafiançável  o crime de racismo, pois todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.

Para denunciar qualquer atitude desta natureza, disque 156, opção 7. Ou vá à delegacia mais próxima.

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